terça-feira, 25 de agosto de 2009

COMPLEXOS

COMPLEXOS
Elizabeth Queiroz

Segundo a teoria Junguiana todos nós temos complexos. As vezes agimos de forma irracional, como que sendo levados por impulsos inconscientes a cometermos erros ou agirmos de forma estranha, perante a determinadas situações.
Os complexos são agrupamentos de imagens afins que se conservam juntas por meio de um tom comum. São agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade, compõem-se primeiramente de um núcleo possuidor de intensa carga afetiva, secundariamente, estabelecem associações com outros elementos afins, sombra, persona, etc.
Para Jung os complexos não são elementos patológicos, ou seja, não são necessariamente negativos, pois fazem parte da formação da personalidade do indivíduo, porem são conflitos inassimiláveis, por isso podem desempenhar uma função positiva. Eles só se tornam patológicos quando sugam para si, quantidades excessivas de energia psíquica
Alguns complexos repousam tranqüilamente mergulhados na profundeza do inconsciente, outros agem perturbadoramente, outros rompem caminhos até o consciente, mas resistem a deixarem-se assimilar e permanecem independentes. (se misturam com a personalidade)
O complexo nos leva a cometer erros, lapsos, gafes, perturba a memória, nos envolve em situações contraditórias, arquiteta sonhos e sintomas neuróticos.

Complexo Materno
Existem vários tipos de complexos, Superioridade, Inferioridade, Paterno, Castração etc... hoje falaremos de um que é muito comum, exatamente pela influência direta que exerce sobre nós, o Complexo Materno.
A pessoa dominada por um forte Complexo Materno é extremamente sensível a tudo o que a mãe diz ou sente, e a imagem dela estará para sempre gravada em sua mente. Este indivíduo tenta incluir a mãe ou alguma coisa com ela relacionada em todas as conversas possíveis, haja ou não cabimento para tal procedimento. Dará preferência às histórias, aos filmes e aos acontecimentos nos quais as mães desempenham papel de relevo. Ficará na expectativa do Dia das Mães, do aniversário da mãe e de ocasiões que lhe dêem um pretexto para homenageá-la. Tende a imitar a mãe adotando-lhe as preferências e interesses, e sentir-se-á atraído pelos conhecidos dela. Prefere a companhia de mulheres mais velhas à de mulheres da própria idade. Quando criança, é um “filhinho da mamãe”; quando adulto, continua amarrado à “saia da mãe”. É uma pessoa que tem dificuldade em se relacionar pois coloca sempre a mãe em primeiro plano. É um complexo que pode inclinar a homossexualidade masculina.

Variação do complexo;
No seu livro; “Die Psycologie der Uebertragung”(Psicologia de Transferência) – Obras Completas Vol. XVI – Zurich –1958.
Jung distingue quatro tipos do feminino; Eva, Helena, Maria e Sofia.
Eva representa o feminino biológico, ela é a mãe do vivos, a mãe telúrica, a grande mãe que dá vida aos homens. Mas ao mesmo tempo também é causa da sua morte, como aparece claramente na Bíblia, onde Eva se deixa seduzir pela serpente que traz como conseqüência a morte. Helena simboliza o feminino erótico, este tipo de mulher é antes de tudo amante, a amiga e a companheira do homem, sedutora e inspiradora ao mesmo tempo.
Maria é o tipo do feminino espiritual ela é segundo a teologia, a segunda Eva, porém somente no seu aspecto positivo de mãe. Ela é somente a boa mãe faltando-lhe o aspecto de Eva que é a mãe da vida e da morte.
À Maria, como virgem imaculada, falta o aspecto erótico. A total dedicação a Deus, que é espirito não dá lugar aquilo que, como no tipo Helena, fascina e encanta o homem. Sofia enfim, é o feminino que reúne em si todos os tipos já mencionados, sem excluir um ou outro aspecto. Sofia como já diz o nome, é o tipo de mulher, que pela experiência da plenitude da vida se tornou sábia.
Homossexualidade e Dom-juanismo são segundo Jung as conseqüências típicas do complexo de mãe. Na homossexualidade, o componente heterossexual, está fixada em forma inconsciente na mãe, no Dom-juanismo, procura-se a mãe em cada mulher. O fundo arquétipo desse complexo mãe é o tipo de relação entre Kybele e Atís; a auto-castração, a demência e a morte antecipada. A Homossexualidade, segundo Jung, tem sua causa na mãe negativa, pois em seu aspecto negativo, a mãe prende o filho, bloqueando-lhe o acesso a outra mulher, é a imagem arquétipica da mãe negativa. O complexo materno não leva sempre aos extremos da homossexualidade, em seu lugar, uma fina diferenciação do erótico, do gosto e do senso estético.
Freud porem, completando Jung, confirma a teoria da bissexualidade e afirma que todo ser humano, possui algum grau de bissexualidade, que nos dias atuais é bem aceita e deixou de ser polêmica social.