segunda-feira, 22 de junho de 2009

AS MULHERES E AS DROGAS


Elas também se destacam como as principais provedoras da droga para os companheiros do grupo

Cada vez mais há mais mulheres dependentes de crack. Para conhecer e trazer à tona o universo feminino do crack, a psicobióloga Solange Nappo, do Centro Brasileiro
de informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo coordenou uma equipe que entrevistou 75 mulheres em São Paulo e São José do Rio Preto, com mais de 14 anos, todas viciadas.
Os depoimentos trouxeram importantes novidades. A principal: o total de mulhe
res dependentes da droga está crescendo dentro dos grupos de viciadas.
As mulheres também estão se destacando como as principais provedoras de
crack para os companheiros do grupo.
Em vez de roubar e se arriscar fisicamente para ter dinheiro parao consumo, elas podem faturar se prostituindo. Com clientes ou diretamente para traficantes, trocam o corpo pela pedra.
A prostituição parece vantajosa, porque permite uma renda constante sem tantos atritos com a polícia.
Os pesquisadores afirmam que , com essa trasformação, resultados sociais relevantes aparecem. Os problemas ligados ao crack tendem a ficar mais restritos a um submundo que fecha em si mesmo.
O vicío dos homens faz notar mais facilmente porque eles roubam ou assaltam.
As mulheres, ao contrário, nem mesmo pelo medo conseguem se impor ou fazer notar. Mantêm-se submissas e passivas para obter dinheiro da droga e não forçam ninguém a nada. Precisam apenas aceitar convites dos homens que as pagam. Se afundam se destroem, aparentemente sem atrapalhar ninguém.
“As mulheres viciadas são um problema social invisível, porque ele não atinge os outros. Como afetam apenas a si mesmas, a existência delas no mundo não parece fazer nenhuma diferença.”
Com o estudo, os pesquisadores procuram dar visibilidade ao tema e alertar que existem riscos sociais que podem afetar a todos, relacionados principalmente à propagação de doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a Aids.
Algumas entrevistadas,por exemplo, dizem fazer até nove programas diários. E boa parte não usa preservativos. A maioria já sofreu algum tipo de violência do cliente.
“ O drama é ainda maior porque, quando estão sob efeito da droga, elas costumamse expor e não se previnem. Quando vemos e compreendemos o problema, fica mais fácil resolvê - lo”.

Os efeitos são Iguais nos dois sexos

Se os problemas ligados ao vício diferem conforme ao sexo, os efeitos físicos do crack são iguais.
Entre os consumidores, a pedra é chamada de criptonita, a única rocha capaz de destruir e sugar as forças do Super Homem. A droga surgiu nos Estados Unidos por volta dos anos 80 e chegou em São Paulo no fim da década, popularizando-se nos anos 90. É feita da pasta da cocaína adicionada a bicarbonato de sódio. Aquecida, é consumida em cachimbos.
A droga traz sensação ao liberar a dopamina - excitante mais poderoso do organismo. As substâncias contida na fumaça do crack são absolvidas rapidamente pelo cérebro por causa dos inúmeros vasos sanguíneos espalhados pelos pulmões em uma área 200 vezes maior do que a da mucosa nasal usada para consumir cocaína. Quando a pedra acaba vem a fissura. A falta de dopamina no cérebro provoca forte depressão, chamada de Paranóia ( nóia), que pode se transformar em um pesadelo de alucinação e medo. Para se livrar da paranóia é preciso fumar novamente e o alívio é temporário até uma nova paranóia.